A PRIMEIRA PEDRA

 

 

 

O orvalho veste a Luz.

Pela poalha vão respostas

germinadas por aqui.

 

Pedras queimadas do tempo

preciosas irão ser

no húmus quente e sereno

do abraço universal.

 

O espírito, arado

em sulcos de gelatina,

circunvoluções terráqueas

do sempre virgem papel,

retém a desordem cósmica,

tradução antropomórfica

de muitas realidades

já reduzidas a cinza...

 

Entre os despojos do pólen

das nuvens, gritos d'Além,

ficou apenas espaço

para semear um verso:

 

E foi a primeira pedra

dum poema em construção.

 

 

   12OUT93

joaquim evónio