Epanáfora Amorosa

 

 

 

À Florbela, minha Irmã

 

 

Dedos receosos e famintos buscaram harmonia nos teus seios.

Descobriram contornos perenes e titilaram erecções estonteantes.

Lábios loucos morderam e beijaram, sofregamente lentos.

Um ardor incestuoso irrompia das fragas vizinhas.

Pouco importava, no calor da charneca, fria solidão nas almas.

Juntaram-se as bocas, comunhão dos espíritos.

Deram‑se as mãos, entrelaçaram‑se braços e corpos que tanto se haviam desejado.

A viagem prosseguiu pelos anseios dos vultos nus.

Nasceram oásis, floresceram rosas.

Silêncio da noite, carícias ardentes.

A paisagem invejava a delícia do encontro, projecção do eterno.

Aconteceu amor.

Para sempre. 

 

Vila Viçosa, 8 de  Dezembro de 1998

 

 

joaquim evónio